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VARIEDADES LINGUÍSTICAS: UMA QUESTÃO A SER (RE)PENSADA NO ENSINO DE LÍNGUA

O objetivo da pesquisa foi o de estudar as variedades linguísticas usadas pelos alunos em duas escolas públicas: uma da cidade de Carpina e outra da cidade de Recife.

A pesquisa em ambas as escolas das cidades de Carpina e Recife veio confirmar mais uma vez o que os estudiosos da língua têm pregado: as variedades linguísticas existem em relação às normas cultas do português e também se manifestam em relação aos falantes residentes no mesmo estado e/ou mesmo município, mesmo bairro, ou seja, na mesma localidade.

Entre as falas descritas, pôde-se identificar diferenças de uso nos aspectos fonéticos e sintáticos em detrimento à norma culta em ambas as escolas, além desses mesmos aspectos terem se apresentado como especificidades de um e do outro grupo de falantes.

Verificou-se também que alguns fenômenos linguísticos presentes nas descrições ainda não foram explicados e/ou nomeados pelos estudiosos da área, tendo, portanto, sido expostos, sem lhes serem aferidas denominações.

Vale salientar que o grau de instrução dos parentes dos estudantes em questão não teve influência significativa nas variedades utilizadas pelos mesmos, de ambas as escolas, visto que os jovens com parentes de alto e baixo grau de instrução fazem uso da mesma forma de falar. À mesma constatação chegou-se no que se refere ao ano escolar dos estudantes, não tendo ocorrido diferença linguística por conta dessa variável.

Diante disto, pode-se afirmar com convicção que o ensino de língua deve ser (re)pensado, considerando, portanto, o conhecimento linguístico que os estudantes já possuem, para, a partir daí, confrontá-los com os conhecimentos que a escola deve proporcionar que é o uso da língua de acordo com as circunstâncias. É nesse sentido que o professor de língua portuguesa deve encaminhar seu trabalho pedagógico, levando a norma culta aos indivíduos de maneira contextualizada e se utilizando das práticas sociais de uso da língua, nas modalidades escritas e faladas, sem, contudo, desprezar as variedades linguísticas que se manifestam nas comunidades em foco.